Quase todos os dias eu acordo antes das cinco da manhã, sem ter dormido de verdade.
São pelo menos três despertares durante a noite, causados pelos fogachos: aquele calor absurdo que vem de repente e, quando passa, dá lugar ao frio.

Eu me levanto cansada para mais um dia de trabalho que mal começou.
Tristeza, raiva, cansaço… tudo junto com esses sintomas físicos.

Isso poderia ser confundido com depressão.
Mas, no meu caso, tem nome: climatério.

Já passei dos 40 anos, e o estresse contínuo se potencializou ao ponto de intensificar esses sintomas. Tenho buscado aprender mais sobre como lidar com tudo isso.

É difícil ver os exames desregulados. Mas, para mim, a parte emocional é ainda mais crucial — e é sobre isso que quero falar.

O que, dentro de nós, pode ter nos machucado e nos esgotado a ponto de nos deixar assim?

O climatério e a menopausa fazem parte da vida da mulher, mas não precisam ser vividos de forma tão dolorosa. Algumas mulheres passam por essa fase sem sintomas intensos.

Fala-se muito, hoje em dia, sobre equilibrar os hormônios.
Mas pouco se fala sobre equilibrar as emoções — sobre retirar da nossa vida aquilo que nos faz mal.

Às vezes, é preciso fazer uma verdadeira faxina interna.

Para mim, este tem sido um período de muitas reflexões e mudanças. Estou aprendendo a tirar da minha vida o que não me faz bem — o que me adoece.

Mas não é fácil.
É preciso enfrentar a culpa e o medo das críticas.

Ainda assim, quando você consegue se libertar de algo que te machuca — por menor que seja — algo muda.

O peito se expande.
E, por um instante, você se sente mais leve.